| Jogos e brincadeiras Kamaiurá |
|---|
| Publicado em Mon 01 Nov 2004 (1007 leituras internas) |
|
Entre os índios Kamaiurá, no alto Xingu, os pesquisadores constataram a existência de seis brinquedos, sete brincadeiras e quatro jogos. Um jogo chama atenção: o Ui’ui. Nele os Kamaiurá comprovam sua criatividade, pois desenvolveram um jogo de habilidade e observação diferente de qualquer outro até então conhecido. A habilidade manual nas brincadeiras e jogos, aliás, foi a característica mais marcante deste povo, segundo Maurício de Araújo Lima, que chefiou a expedição. A aldeia dos Kamaiurá fica junto a uma grande lagoa, com muita areia onde eles costumam se divertir. Mocareara angap - Uma espécie de arma de pressão feita com um tubo de bambu e polpa do fruto do pequizeiro. Com a polpa grossa, os índios fazem dois tampões, um em cada extremidade do tubo de bambu, que fica cheio de ar. Com uma vareta de imbira, um dos tampões é socado para dentro, empurrando o ar e forçando a saída do tampão que fica na outra extremidade. A forte pressão faz com que o tampão seja expelido com muita força e velocidade, como um projétil. "Eles brincam de caçada. Um deles se esconde no mato e os outros vão atrás. Quando o localizam, disparam para acertá-lo", conta Lima. Y’yn (1) - Pião feito com uma fruta comestível da região, a yua’apong, e varetas de bambu. Y’yn é palavra usada para designar qualquer coisa que gire. A yua’apong é usada quando verde (fica preta quando madura). As crianças brincam fazendo os piões girarem, juntos ou não, cuidando para que o giro seja o mais belo possível. Não é, entretanto, uma competição de piões. Y’yn (2) - Zunidor feito com um disco de cabaça que gira (daí o nome Y’yn, como o pião) desenrolando e enrolando sucessivamente um cordão de tucum. Crianças da cidade costumam brincar disso com botões grandes e barbante. Entre os Kamaiurá, o disco é feito com o fundo da cabaça, tem dois furos por onde passam a "ida" e a "volta" do cordão, cujas pontas são emendadas. Assim, o cordão duplo fica esticado entre as duas mãos (contornando um dedo em cada extremidade) e o disco fica no meio. Nele os Kamaiurá entalham dentes, que produzem um zunido quando o giro é mais rápido. Para fazer girar, é preciso torcer bastante o cordão e então puxar as extremidades em sentido oposto, esticando-o. My’yta - Perna de pau construída com madeira e tiras de embira, que servem de apoio para os pés. O mais engenhoso do brinquedo é o uso de um nó que possibilita o ajuste da tira, para crianças mais altas ou mais baixas. Este tipo de brinquedo pode também simular a pegada de aves e outros animais. Não foi possível produzir fotos. Popok - Peteca feita com palha de buriti, recheada com folha de algodão. A peteca dos Kamaiurá não tem penas. As pontas da palha são deixadas bem compridas e soltas, cumprindo a função das penas. Y’epem - Este é o nome de uma planta que os Kamaiurá fazem voar como um helicóptero. A Y’epem tem uma haste comprida e duas folhas que pendem para lados opostos. Com a haste presa entre as mãos espalmadas, pode-se fazê-la girar com força e velocidade, fazendo as folhas funcionarem como hélices. Infelizmente a visita dos pesquisadores ocorreu numa época do ano em que a Y’epem não brota. Não foi possível fotografá-la. |
| Índices :: Cópia |
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.






